Ilhas-Sombra

Enquadrado no projeto “Arquipélago-Sombra” em Penafiel, projeto aprovado no âmbito do concurso “Intervenções de Resiliência dos territórios face ao risco | (Re)arborização de espaços verdes e criação de ilhas-sombra em meio urbano” do REACT-EU FEDER, financiado pelo Compete 2020, foram criadas duas ilhas-sombra: Ilha-sombra 1 – Monte Castro (junto à Vila Gualdina) (Fig.1) e na ilha-sombra 2 – Encosta das Lages (junto às piscinas municipais) (Fig. 2).

As Ilhas-sombra são espaços verdes em meio urbano, destinadas à plantação de flora autóctone, que visam combater os efeitos das alterações climáticas nas cidades assim como promover a biodiversidade.

Estes espaços anteriormente dominados por espécies de flora exótica e invasora, vão ser um ponto de combate às problemáticas ambientais, contribuindo para a amenização da temperatura local, sequestro de carbono, purificação do ar, criação de espaços de recreio e lazer e promoção de biodiversidade com o aumento em quantidade e diversidade de espécies de plantas e animais nativos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 1 e 2 – Monte Castro e Encosta das Lages antes da intervenção

A intervenção nos dois locais, iniciou-se com a remoção e controlo das espécies de flora exótica e invasora. Mais concretamente remoção de Sanguinária-do-Japão (Fallopia japonica) (Fig.3), Acácias (Acácia sp.) (Fig.4), Acácia-bastarda (Robinia pseudoacacia) com os métodos mais indicados para cada uma. Todas estas espécies estão presentes no Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho, que estabelece o regime jurídico aplicável ao controlo, à detenção, à introdução na natureza e ao repovoamento de espécies exóticas da flora e da fauna. Neste sentido, segundo o referido artigo “As espécies constantes da Lista Nacional de Espécies Invasoras com ocorrência verificada no território nacional devem ser objeto de planos de ação nacionais ou locais com vista ao seu controlo, contenção ou erradicação, os quais podem também abarcar grupos de espécies com características semelhantes.”

Fig. 3 – Sanguinária-do-Japão (Fallopia japonica)

Fig. 4 – Acácias (Acácia sp.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As espécies invasoras são extremamente prejudiciais para o ambiente e para a sociedade pois o seu aparecimento e rápida dispersão impedem o crescimento de espécies nativas; diminuem a biodiversidade; alteram a paisagem; causam erosão dos solos entre outros problemas ambientais. Também causam problemas socioeconómicos tais como os danos em infraestruturas, Impactos na saúde (doenças e alergias), Altos custos de remoção e controlo ou Diminuição da produtividade agrícola/ florestal.

No seguimento dos trabalhos deste projeto, após a remoção das espécies de flora invasora, prosseguiu-se com o arranjo do terreno e posterior plantação massiva de plantas nativas.

Foram plantadas mais de 450 árvores, arbustos e plantas herbáceas de 16 espécies diferentes, nomeadamente o Pilriteiro (Crateagus monogyna), o Azevinho (Ilex aquifolium), a Murta-comum, (Myrtus communis), o Lentisco (Phillyrea angustifolia), o Sobreiro (Quercus suber), o Hipericão-do-Gerês (Hypericum androsaemum), o Pinheiro-Manso (Pinus pinea), o Freixo (Fraxinus excelsior), o Folhado (Viburnum tinus), o Sanguinho-de-água (Frangula alnus), a Gilbardeira (Ruscus aculeatus), o Sabugueiro (Sambucus nigra), o Carvalho-Galego (Quercus orocantabrica, a Urze-arbórea (Erica arbórea), o Medronheiro (Arbutus unedo), o Castanheiro (Castanea sativa) e o Lírio-amarelo-dos-charcos (Iris pseudacorus).

          Fig. 5, 6 e 7 – Ação de Plantação após remoção e controlo das espécies invasoras

Para além da ação de plantação instalaram-se diferentes estruturas para atrair ainda mais biodiversidade. Construiu-se, nomeadamente, um Charco, um Hotel para Insetos e várias Caixas-ninho. Todas estas estruturas vão fornecer abrigo para diferentes espécies se poderem reproduzir em segurança e criar condições para se alimentarem e viver neste espaço.

O charco é uma área de água rasa e estagnada, geralmente encontrada em ambientes naturais, mas que também pode ser replicado. Tem uma profundidade limitada e pode secar temporariamente, especialmente durante períodos de clima quente ou seco.  Pode abrigar uma vasta variedade de vida aquática, como os insetos e anfíbios que usam estes pontos de água parada para se reproduzir, proteger e alimentar. Também alguns répteis, aves e mamíferos usam os charcos para se alimentar. Ao redor do charco é comum ver diversas plantas aquáticas tais como nenúfares, taboas e lírios.

                                          Fig. 8, 9 e 10 – Construção do Charco

O Hotel para Insetos é uma estrutura projetada com materiais naturais, como pinhas, bambu, pequenos e grandes ramos, entre outros materiais orgânicos, assim como alguns resíduos de construção tais como blocos de tijolo e telhas. Ao se criarem estas condições, diferentes insetos vão ocupar os pequenos espaços e cavidades vazias. Desta forma, estes insetos vão-se abrigar e proteger durante o inverno, onde também podem depositar os seus ovos no Hotel para que as larvas se desenvolvam de forma segura.

Esta estrutura é destinada essencialmente a insetos polinizadores que não vivam em colmeia ou comunidade, tais como as abelhas solitárias, as borboletas, as joaninhas e os besouros.

                              Fig. 11 e 12 – Construção do Hotel para Insetos

As Caixas-Ninho são estruturas pensadas para oferecer refúgio seguro a aves durante os ciclos reprodutivos. Estas estruturas replicam os abrigos naturais das aves, pois são espaços fechados e protegidos com a abertura mais indicada para cada espécie. As Caixas-Ninho com o orifício mais pequeno, atraem aves de dimensões inferiores, tais como o chapim-azul (Cyanistes caeruleus), o chapim-real (Parus major) e o Chapim-carvoeiro (Periparus ater). As Caixas-Ninho com a abertura maior, por terem uma maior visibilidade enquanto nidificam, atraem especialmente espécies de turdídeos tais como o Melro (Turdus merula) e Tordo-comum (Turdus philomelos), mas também o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), Carriça (Troglodytes troglodytes) e Rabirruivo (Phoenicurus ochruros).

Para além dos imensos benefícios para o Ambiente e Biodiversidade, também a população local irá usufruir das Ilhas-sombra. Estes terrenos transformaram-se em áreas de lazer, onde é possível usufruir de um espaço natural em meio urbano.