Situado no núcleo primitivo da atual cidade de Penafiel.

Descrição
Situado no núcleo primitivo da atual cidade de Penafiel, este edifício apresenta duas fachadas distintas e independentes, uma voltada para a rua Direita, em frente à igreja matriz, principal arruado que está na origem desta povoação, e outra voltada para uma viela. A parte posterior terá servido como albergaria do Espírito Santo, referenciada pela primeira vez em 1329, de que descendeu o primeiro hospital de Penafiel, já mencionado em 1466. A parte frontal pertencia à Capela de Nossa Senhora das Dores, construída no século XV e alvo de profundas reformas no século XVII. Este templo foi sede da Irmandade da Misericórdia, aqui fundada em 1509, que também administrou as instalações hospitalares transferidas, em 1836, juntamente com as imagens da Capela do Hospital, para as dependências do Convento de Santo António dos Capuchos.

Em 1844, o edifício vago foi aforado à Sociedade Phylo-dramática Penafidelense que adaptou o espaço a teatro, tendo sido apagados todos os traços das suas antigas funções, restando apenas alguns elementos da fachada, como a moldura rollwerk do óculo e o frontão. Inicialmente, o palco localizava-se junto à rua Direita e a entrada fazia-se pelo estreito e irregular quelho situado nas traseiras, o que causava grande incómodo dos espectadores. Por essa razão, em 1857, foi alvo de nova reforma, inaugurada no ano seguinte, que lhe conferiu o aspeto geral alvo do restauro iniciado em 2018. O apelido de Recreatório paroquial, ou infantil, granjeou-o na segunda metade do século XX, após a sua aquisição pela paróquia de Penafiel, sendo utilizado para atividades lúdicas e de educação cristã por crianças e jovens.

Na sequência da implementação do projeto de Recuperação e Restauro, iniciada em 2018, o imóvel foi objeto de intervenção arqueológica e antropológica de que resultou o registo de enterramentos humanos ocorridos entre os séculos XV e XIX.

Localização
Freguesia: Penafiel
Lugar: Largo da Matriz

Classificação
Em Vias de Classificação como Monumento de Interesse Municipal (Anúncio n.º 19/2018, de 29 de Janeiro)

Época
Moderna/Contemporânea

Bibliografia Relacionada
BERNARDO, Helena (2012) – Do lugar de Arrifana de Sousa à cidade de Penafiel: Urbanismo e arquitetura (séculos XVI-XVIII). Dissertação de Mestrado. Porto: FLUP, edição policopiada.
BERNARDO, Helena; SAMPAIO, Jorge; BORGES, Marta (2020) – As muitas vidas de um edifício urbano: história, arqueologia e antropologia no antigo Recreatório Paroquial de Penafiel, Actas do III Congresso da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Arqueologia em Portugal 2020 – Estado da Questão. Lisboa: Associação dos Arqueólogos Portugueses e CITCEM, p. 221-234.
FERNANDES, Paula Sofia Costa (2016) – O Hospital e a Botica da Misericórdia de Penafiel. Penafiel: Santa Casa da Misericórdia.
SOEIRO, Teresa (1993) – O Progresso também chegou a Penafiel. Resistência e mudança na cultura material. Tese de Doutoramento. Porto: FLUP, edição policopiada.