O segundo trimestre de 2026 arranca, no Ponto C, com um concerto de Manel Cruz. Dia 2 de abril, o músico e compositor vai apresentar o resultado da residência que artística que esteve a fazer em Penafiel, com Álvaro Ramos (técnico de som) e Fred Rompante (técnico de luz e vídeo). Com vista a deixar-se inspirar pelas tradições vivas da região, a residência tem lugar no final de março e vai resultar num concerto intimista do vocalista dos Ornatos Violeta, Foge Foge Bandido, Pluto e Supernada.
Dia 18, o Teatro Nova Europa apresenta “Se um momento os teus olhos me pudessem ver” com texto e encenação de Luís Mestre. Inspirado em “Fedra”, de Racine – a tragédia de uma rainha da antiga Grécia que se apaixona pelo enteado, Hipólito –, esta peça aborda um amor interdito e tabu, exibindo a intimidade de quem deseja um corpo proibido.
Para celebrar os valores de abril, o Ponto C propõe uma programação dedicada à música tradicional e às suas reinvenções, com concertos, apresentações de livros, conversas, filmes e exposições. Coprogramado com a Tradisom, o Ponto C celebra a riqueza do património imaterial português afirmando Penafiel como lugar vivo de encontro e diálogo entre tradição e contemporaneidade.
Dia 10, o Amicitia Chorus apresenta o seu mais recente EP, “Bai-te à Murta”, numa noite especial com a participação das vozes de Sara Yasmine e Gil Dionísio. No dia seguinte, 11, o Amicitia Chorus junta-se a Jorge Cruz para rever o repertório original do fundador dos Diabo na Cruz.
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Será ainda possível assistir à inauguração da exposição “Tradisom, trinta anos de edições”, uma mostra que é uma viagem pela mais relevante música tradicional portuguesa, patente até 10 de junho; e ver o espetáculo multidisciplicar que assinala o centenário do nascimento de Carlos Paredes, “Canções & Palavras”, de EncorArte. Uma das grandes referências da música portuguesa, ao lado de Zeca Afonso, cuja obra estará disponível no Ponto C, em dois encontros com curadoria da Tradisom: “Zeca Afonso, uma vontade de música” e “Carlos Paredes, a guitarra de um povo”.
Também o trabalho de recolha da história da música tradicional, feito pelo etnomusicólogo francês Michel Giacometti estará em destaque, dia 11, com a exibição da filmografia completa, uma homenagem à cultura popular portuguesa, aos seus cantos e suas gentes. A noite termina com um set do DJ Gaiteirinho, com música que convida a viajar pelos Balcãs, África, Oriente e América.
Ainda sobre o mote de abril, dia 15, o Art’Ventus Quintet apresenta “Sopros de Abril”, um concerto que reúne obras de compositores nacionais do século XX até à atualidade, traçando uma trajetória entre autores anteriores à Revolução, criadores de transição e compositores já nascidos em liberdade. Um recital com peças de Frederico de Freitas (1902-1980), Joly Braga Santos (1924-1988), e ainda duas encomendas feitas a Luís Azevedo (n. 1974) e Anne Victorino d’Almeida (n. 1978).
Com texto de Regina Guimarães, chega ao Ponto C, dia 24, um espetáculo de marionetas para todas as idades: “Dura Dita Dura”, do Teatro de Ferro, com o marionetista Igor Gandra. Estreado há 17 anos, é um monumento teatral sobre a atmosfera de terror surdo que vigorou por meio século em Portugal.
Com vista a assinalar o dia dos direitos dos trabalhadores, a companhia Astro Fingido e o encenador Fernando Moreira apresentam, no Ponto C, duas peças: dia 30 de abril, “Moço da Cola”, onde se retrata a vida das crianças que abandonavam a escola para trabalhar nas oficinas e contribuir para o sustento familiar; e a 3 de maio, “Mulheres Móveis”, espetáculo visual e musical que homenageia as carreteiras, mulheres que transportavam os móveis à cabeça, num tempo de miséria e trabalho duro.
Do Ensemble Sociedade de Actores, “Dupla” é uma peça escrita e encenada por Pedro Galiza, protagonizada por ele e Emília Silvestre, para ver dia 8. Inspirada na biografia de Sarah Bernhardt, a obra retrata o encontro cómico e conflituoso entre uma atriz experiente (com 50 anos de carreira) e um encenador novato.
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Também em maio, de 15 a 17, a 2.ª edição do Coordenadas – laboratório para o território: um encontro que alia práticas artísticas inclusivas à inscrição do placemaking cultural na vivência urbana. Contando com especialistas em planeamento e espaço público, arte participativa e criação de e com pessoas com necessidades específicas, a edição 2026 atualiza o debate sobre o bem comum.
Enquanto não é divulgada toda a programação do Coordenadas 2026, é possível garantir já o lugar nos espetáculos que serão apresentados: dia 15, “Bichos”, de Rui Lopes Graça para a Dançando com a Diferença – companhia madeirense que celebra o 25.º aniversário – parte da obra de Miguel Torga para refletir sobre a condição humana através de animais humanizados em confronto com a sociedade, com a natureza e com o divino; e dia 16, os 5ª Punkada, banda de punk rock fundada por Fausto Sousa há 27 anos, na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Com instrumentos convencionais e adaptados, compõem e interpretam temas originais.
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A 24 de maio, o Instituto Nacional de Artes do Circo apresenta, no Ponto C, “The Version I Didn’t Imagine”. Em cena, 20 finalistas da escola de circo INAC, de Famalicão, dão vida a um espetáculo de circo contemporâneo de grande escala, que cruza teatro físico, dança e música. Num registo tragicómico, a peça investiga o absurdo da condição humana numa sociedade marcada pelo isolamento e pela repetição mecânica do quotidiano.
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A fechar maio, dia 30, a Orquestra da Ópera na Academia e na Cidade convida duas estruturas de Penafiel – o Grupo de Teatro Amador das Termas S. Vicente e o Grupo de Cantares Tradicionais da Casa do Povo de Abragão – para levar à cena “O Barbeiro de Sevilha”, sob direção de José Ferreira Lobo. Uma ópera bufa, conhecida pelas suas rápidas e bem-humoradas árias. Composta em 1816, conta a história de dois amantes que lutam para ficar juntos, entre muitos disfarces e identidades trocadas. Pela primeira vez, dois grupos de talentosos penafidelenses juntam-se em palco para esta produção.
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No Dia da Criança, 1 de junho, o Ponto C propõe “A Maior Flor do Mundo e as Pequenas Memórias”, da Leirena Teatro, com encenação de Frédéric da Cruz Pires a partir de dois livros de José Saramago. Com interpretação de Matilde Cruz e música ao vivo de Surma, esta peça transporta o público numa viagem poética e visual sobre a infância, o tempo e as descobertas.
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Em “Dressing/ O Vestido”, escrita e interpretada por Lígia Soares, somos confrontados com o preço de uma única peça de roupa e levados a refletir sobre a viabilidade ética de um artigo de luxo, considerando o tempo e as condições de trabalho da sua fabricação. Para ver dia 6.
A 9 de junho, Beatriz Gosta faz do Ponto C o seu “Resort”, um momento de pausa e reflexão que pode ser visto como férias ou retiro, misturado com uma pitadinha de burnout. Sempre naquele equilíbrio ténue entre rir de nervoso e gargalhar, este promete ser um serão animado.
A Banda Musical de Lagares volta ao Auditório, a 14 de junho, e traz um convidado especial. O trompetista galego Rubén Simeó, galardoado com o prestigiado Prémio Europeu para a Cultura e solista das mais conceituadas orquestras, como a Hulencourt Soloists Chamber Orchestra, junta-se à Banda Musical de Lagares numa noite onde se vão ouvir clássicos do cinema, de Ennio Morricone, Hans Zimmer a John Williams; e êxitos do pop/rock, de bandas como Bon Jovi, ABBA e Coldplay.
Os bilhetes para os espetáculos estão à venda na bilheteira do Ponto C, de terça a sábado entre as 13h30 e as 18h30; e on-line (https://pontocpenafiel.bol.pt/).
Atividades paralelas
Da programação do Ponto C fazem também parte a exposição “Entre mundos: ciência, pessoas e territórios”, do Rotary Club de Penafiel, para ver até 3 de maio na Sala Eurico. Uma mostra de fotografias de Pedro Ferreira, captadas ao longo de um percurso científico vivido entre a Tanzânia, o Bangladesh e o Nepal. Mais do que geografias, são retratos de encontros.
No dia 27 de junho inaugura “Metade dos Minutos” de Ângela Rocha. Uma exposição sensorial, lúdica e interativa que integrou a representação portuguesa na 15.ª Quadrienal de Praga, o mais importante fórum internacional de cenografia e que estará em Penafiel até 5 de setembro. A instalação coloca o visitante no centro da ação, convidando ao movimento e privilegiando o potencial exploratório e de aventura para todas as idades.
Quanto a oficinas, promovidas pelo Serviço de Comunidade do Ponto C, estão abertas as inscrições (gratuitas através do e-mail info@pontocpenafiel.pt) para a Oficina de Crítica de Teatro, “Critique”, com orientação Luís Mestre, a partir de 18 de abril; e para a Oficina de -Bordado e Transformação, “Upcycle Têxtil”, com orientação Sílvia Passos Costa, a partir de 9 de maio.
As residências artísticas em diálogo com o património local têm dois projetos a decorrer, um com a companhia Circolando e outro a cargo dos criadores de circo Rafael Gonzalez e George Swattridge, num trabalho partilhado entre Penafiel, Ílhavo e Pombal. “Homúnculo”, que será apresentado a 31 de maio, é um dueto de circo com dança, teatro e equilibrismo, sobre o espaço de comunicação entre dois seres.
Ponto C de portas abertas à comunidade
Durante este trimestre, o Ponto C vai acolher a Penafiel com Futuro – Feira de emprego, formação e ensino superior, dia 15 de abril; a X Mostra de Teatro Juvenil, dias 20 e 21 de maio; as Olimpíadas da Dança Sénior, dia 23 de maio; uma conversa sobre “Sustentabilidade em saúde: desafios e perspetivas”, no âmbito da Semana da Saúde, dia 17 de junho, e a exposição “Endscape” de Luís Campos; e o espetáculo “entre gatos e bonecos…” da Lampadinha Academia de Dança e Artes de Palco, dia 27 de junho.
Ponto C fora de portas
No domingo de Pascoela, 12 de abril, Penafiel convida a comunidade a reunir-se no Sameiro para escutar obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827), figura maior na transição do período clássico-romântico da história da música. O programa “Sinfonia Eroica” será interpretado pela Orquestra do Norte, sob direção de Fernando Marinho.
A 20 de junho, no Largo do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, “Conhort/Conforto” dos catalãs Hotel Iocandi. Uma proposta poética e tragicómica que explora a ideia de consolo com um olhar delicado e profundo sobre as relações humanas. Um espetáculo que combina circo, movimento e uma estrutura cénica circular que envolve o público.
Para todas as idades, a peça de teatro, música e marionetas “O avô tem uma borracha na cabeça”, do Varazim Teatro, pode ser visto dia 17 de maio, na Casa do Xiné. Com texto de Rui Zink, é história da amizade entre um avô, que lentamente vai perdendo as memórias, e o neto inventor que se dedica a descobrir uma cura. Através da sensibilidade de uma criança, chega-nos a lição mais importante: o amor é mais forte do que o esquecimento.

