Assembleia da República acolheu a apresentação oficial do festival literário de Penafiel, que regressa de 20 a 25 de outubro
A Assembleia da República acolheu esta terça-feira a apresentação oficial da 19.ª edição do Escritaria – Festival Literário de Penafiel, que revelou Luís Cardoso como o escritor homenageado da edição de 2026.
Antes da apresentação oficial, a comitiva do Município de Penafiel foi recebida pelo Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, num encontro institucional que assinalou o arranque da iniciativa.
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Na sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Pedro Cepeda, destacou o significado de apresentar, pela primeira vez, o Escritaria fora de Penafiel, sublinhando o simbolismo da escolha da Assembleia da República para anunciar o escritor homenageado, "Este é o primeiro ano em que apresentamos o Escritaria fora de portas. Entendemos que a Assembleia da República seria o local mais adequado, uma vez que a obra de Luís Cardoso está muito associada à liberdade, ao povo timorense, à luta e à resistência. Luís Cardoso é, de facto, a maior referência da literatura de Timor-Leste e, provavelmente, uma das maiores referências culturais do país, sendo hoje também um escritor muito consagrado no universo da lusofonia, da literatura e da língua portuguesa."
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Pedro Cepeda salientou ainda que esta escolha reforça a dimensão nacional e internacional do Escritaria, um festival que, ao longo de quase duas décadas, tem afirmado Penafiel como um território de referência na promoção da literatura em língua portuguesa.
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Visivelmente emocionado, Luís Cardoso agradeceu a homenagem e destacou o significado que este reconhecimento representa para Timor-Leste, "Todos os meus livros falam de Timor, do meu país, um país tão próximo de Portugal. As pessoas ficaram muito felizes por saber que um dos seus filhos, através da literatura, foi homenageado, sobretudo pela Escritaria, que tem uma dimensão internacional. A Escritaria é um dos grandes festivais literários do mundo."
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Considerado o mais aclamado escritor timorense da atualidade, Luís Cardoso é uma das mais importantes vozes da literatura contemporânea de Timor-Leste. A sua obra, marcada pela memória, pela identidade, pelo exílio e pela história do seu país, conquistou reconhecimento internacional, afirmando-o como uma referência da literatura lusófona.
Nascido em Kailako, Timor-Leste, em 1958, chegou a Portugal em 1975, na sequência da ocupação indonésia do seu país. Paralelamente ao seu percurso literário, desempenhou um papel relevante na luta pela autodeterminação timorense.
Estreou-se na literatura com Crónica de Uma Travessia (1997), obra considerada um marco da literatura timorense contemporânea. É também autor de Requiem para o Navegador Solitário (2007), Para Onde Vão os Gatos Quando Morrem? (2017), Plantador de Abóboras (2020), romance distinguido com o Prémio Oceanos 2021, e Hotel Timor (2025).
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Em 2023, foi distinguido pelo Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, com o Colar da Ordem de Timor-Leste, em reconhecimento pelo seu contributo para a literatura e para a independência do país.
Ao escolher Luís Cardoso como homenageado da edição de 2026, o Escritaria reforça a sua missão de celebrar os grandes autores da língua portuguesa e de promover o encontro entre diferentes culturas através da palavra.
A 19.ª edição do Escritaria – Festival Literário de Penafiel realiza-se entre os dias 20 e 25 de outubro de 2026, voltando a reunir escritores, leitores, escolas, associações e espaços culturais do concelho numa semana dedicada à literatura e à língua portuguesa.

